
As dores do parto
Em Marcos, Jesus explica a seus apóstolos, após ter sido indagado por eles, como reconheceriam o tempo da consumação de todas as coisas.
"Quando ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos alarmeis: é preciso que aconteçam, mas ainda não é o fim. Pois levantar-se-á nação contra nação e reino contra reino. E haverá terremotos em todos os lugares, e haverá fome. Isso é o princípio das dores do parto" ( MC 13, 7,8).
As dores do parto são sinais que a mãe sente que indicam estar-se aproximando a hora do nascimento, o momento de dar a luz. Toda mulher que já teve a graça de gerar um filho conhece muito bem esses sinais. No princípio, as dores são mais leves e esparçadas; à mediada que as dores aumentam em intensidade e frequência, a mulher começa a se preparar para um momento lindo: o nascimento de seu filho.
Deacordo com o evangelista Marcos, Jesus compara sua volta com um parto. Jesus está querendo que a Igreja, olhando para os sinais por Ele indicados, identifique se estão aumentando em intesidade e frequência a fim de saber se está próximo ou distante o dia do Senhor.
Paulo, na primeira carta aos Tessalonicenses, capítulo 3, reafirma "Será como as dores do parto de uma mulher grávida." Ou seja, a palavra de Deus nos dá segurança de afirmar que terremotos, tornado, furacões, fome, guerras, nação contra nação, reino contra reino contra reino são as dores do parto, sinais percursores da vinda do Senhor.
Tomemos como exemplo os terremotos. Estatísticas indicam que de 1800 a 1900, um período de cem anos, ocorreram 18 grandes terremotos; de 1900 a 1950, portanto, 50 anos, foram registrados 33, quase o dobro do número registrado em um século; e de 1950 a 1996, ou seja, 46 anos, ocorreram 96 grandes terremotos, tres vezes mais.
Outros números revelam ainda que em todo o século XIX ocorreram 41 grandes terremotos provocando a morte de 350 mil pessoas; no Século XX até 1997, 96 grandes terremotos causaram a morte de mais de 2 milhões de pessoas. Em 2005, no sudeste asiático, somente um terremoto provocou a morte de cerca de 300 mil pessoas e cinco milhões de desabrigados.
Em relação a outra dor Jesus descreve - a fome -, é fácil notar que cresce em intencidade a frequência a cada dia. Estatísticas mostram que atualmente quase um bilhão de pessoas em todo o mundo passa fome, a grande maioria de mulheres e crianças. Dados revelam que em todo o mundo os ricos ficaram cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Isso indica que a tendência é de que a fome seja crescente e aumente o número de vítimas. Sobre o assunto temos hoje disponíveis dados bem atualizados na internet que indicam a gravidade da situação, mostrando-nos uma realidade como nunca se verificou em nenhum período da história da humanidade. Em 2005 morreram de fome cerca de 1,6milhão de pessoas em todo o mundo.
Em 1914, teve início a Primeira Guerra Mundial, Que terminou em 1918, deixando 39 milhões de mortos; 9 milhões eram militares e 30 milhões, civis.
Em 1917, teve início a revolução comunista na Rússia. Em 70 anos de comunismo, morreram mais de 100 milhões de pessoas com o propósito de se implantar uma ideologia que tinha o ateísmo como pressuposto.
Ja a Segunda Guerra Mundial, ocorria entre 1939 e 1945, deixou um saldo de 51 milhões de mortos, sendo 17 milhões de soldados e 34 milhões de civis, dos quais 6 milhões eram de Judeus.
Da Segunda Guerra Mundial até os dias atuais, centenas de guerras aconteceram, além dos rumores de guerra que se seguem permanentemente. Quem não se lembra do período dea guerra fria, patrocinado pela União Soviética e pelos Estados Unidos, compreendido entre o final da Segunda Guerra e a derrubada do Muro de Berlim? Nesse período, o mundo todo viveu a expectativa de ver eclodir, a qualquer momento, mais uma guerra mundial.
As guerras têm se multiplicado a cada dia. Recentemente, um jornal de grande circulação noticiou a ocorrência simultânea de cerca de 70 conflitos de guerra em todo o mundo.
Também, por esse sintoma, as dores do parto têm aumentado em frequência e intensidade. O dia está chegando, prepare-se!
As dores do parto nos indicam a proximidade de chegada do Senhor, como já dissemos. A pergunta que queremos responder agora é: por que Paulo e Jesus falam de dores do parto ou dores da mulher grávida? Que parto é esse que irá acontecer?
O livro de Apocalipse nos ilumina a respeito desse parto quando afirma "uma mulher vestida com o sol tendo a lua a seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas estava grávida e gritava, entre dores de parto, atormentada para dar à luz" (Ap 12, 1-6).
Que mulher é essa? Cumumente a Igreja tem usado esse texto referindo-se a Maria, que gerou Jesus, o varão, que irá reger as nações com cetro de ferro. É verdade, esse texto nos permite perfeitamente indentificar Maria e o varão sendo Jesus.
Se após a leitura do texto de Apocalipse procurarmos em Gênesis 37,9 percebemos, também que essa mulher vestida com o sol, tendo a lua sob seus pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas, pode perfeitamente ser identificada com Israel e o varão, que estava para nascer, com a Igreja.
Na bíblia de Jerusalém, p. 2.314, item g, o comentarista diz: "é possível que João pensasse em Maria quando escreveu o capítulo 12 versículos de 1 a 6".
Gênesis relata o sonho de José: "E diz: tive ainda outro sonho, pareceu-me que o sol, a lua e onze estrelas se prostaram diante de mim" (Gn 37,9). José viu apenas onze estrelas porque ele era a décima-segunda. Ao compararmos os dois textos, nos convencemos de que o apóstolo São João inicialmente se referia a Israel como a mulher grávida e a Igreja com o varão que nasceria. Até porque, se olharmos para a história da Igreja, Jesus era judeu; Maria era judia; os apóstolos e os dícipulos também eram judeus. Ou seja, a nação de Israel gerou a Igreja, corpo místico de Cristo.
Da mesma forma que a mulher concebe do seu marido, a Igreja concebe do Espírito Santo. Quando utiliza a expressão "estava grávida e gritava entre dores de parto, atormentada para dar à luz" (Ap 12,2), devemos considerar que antes desse momento houve a concepção até o nascimento.
Portanto, a criança que nasce é o corpo místico de Jesus que completa sua formação. O nascimento se dá quando o corpo completa sua formação. Do mesmo modo como aconteceu no nascimento de Jesus, sucederá com a Igreja. Quando nasceu o menino, o dragão (Herodes) quis devorá-lo, obrigando Maria o José a fugirem para o Egito. Quando a Igreja nascer, o dragão (satanás) tentará devorá-la, mas ela será arrebatada para junto de Deus. O nascimento representa a união definitiva da Igreja, o corpo, à cabeça, Jesus. Assim, as dores do parto a que se refere e que Paulo reafirma em I Tessalonicenses dizem respeito ao nascimento da Igreja.
Por isso, João afirma: quando o varão nasce, ou seja, quando a Igreja, corpo mísitico de Jesus, estiver formada e o tempo estabelecido por Deus se completar, essa Igreja fiel será arrebatada para se unir a Cristo Jesus nas regiões celestiais. Os outros acontecimentos vão se desenvolver.
Quando o dragão, satanás, perceber que a Igreja fiel foi arrebatada, ele vai desencadear e a grande perseguição contra a nação de Israel, que será por três anos e meio, segundo Daniel 9,27; ou de um tempo Apocalipse (Ap 12,14), ainda, 1260 dias. Findo esse tempo, Jesus virá glorioso com toda a Igreja para definitivamente acorrentar satanás e resgatar a nação de Israel, cumprindo o que Paulo cita em Romanos: "Não quero que ignoreis, irmãos, este mistério para que não vos tenhais na conta de sábios: o endurecimento atingirá uma parte de Israel até que chegue a plenitude dos gentios e assim todo Israel será salvo" (Rm 11,25-26).
Autor: Miguel Martini
ORAI E VIGIAI!