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A caminho da vida eterna
 
 
"Ressuscitados pelo amor de Deus" Esperança

Medo da morte

Pergunta do leitor - Como enfrentar aquilo que tanto nos põe medo:
de ter que deixar um dia a família que temos e o mundo em que vivemos?


Hoje a esperança cristã é crermos que nossa vida neste mundo é um precioso dom de Deus e que, quando for determinado por Ele, seremos chamados a viver a vida eterna.
Tal esperança está alicerçada em Cristo que por nós morreu e ressuscitou.
Com sua Morte e Ressurreição abriu o caminho de vida nova para a casa do Pai: lá estaremos em comunhão plena de vida.
A passagem, no entanto, para a eternidade nos atemoriza. Por quê? Talvez o exemplo do Papa João Paulo II e sua palavras nos ajudem a encontrar um apoio para nossas convicções e para ter uma postura mais condizente com aquilo que nossa fé nos ensina.
As considerações são do Frei Betto que, recentemente, assim escreveu: "Ao completar 83 anos a 18 de maio, João Paulo II manifestou que pressente aproximar-se o dia em que prestará contas com Deus.
Quebrou, assim, um tabu cada vez mais arraigado em nossa cultura: a de que a morte é uma fatalidade, não um destino.
Não apenas fugimos do tema, como já não realizamos o rito de passagem que tanto presenciei em minha infãcia, em Minas: a agonia, o falecimento, o velório em casa, a missa de corpo presente e, depois, a de sétimo e trigésimo dias.
Hoje, a morte é quase uma falta de educação, fadada à clandestinização.
Morre-se no hospital e, às pressas, faz-se o velório na sala do cemitério e, sem choro nem vela, nem fita amarela ou preta de luto, entra-se.
Nessa cultura da glamourização das formas, orgulhosa de ter descoberto o elixir da eterna juventude, assegurada por academias de ginástica e tratamentos sotisficados, tornam-se socialmente vergonhosas a gordura e a velhice.
Os cabelos brancos são tingidos, as rugas disfarçadas ou esticadas, a idade camuflada.
Estamos todos convidados a morrer esbeltos e sarados, sem uma celulite já que, por enquanto, a imortalidade só existe em liceus literários.
João Paulo II foi capaz de repetir corajosamente o prenúncio de Jesus: "Deixo o mundo e vou para o Pai" (João 16,28).
Entre tantos apegos, inclusive mesquinhos, como a cargos e funções, admitir a própria morte é, no mínimo, um ato de humildade, no sentido etimologico do termo, de húmus, pôr os pés na terra, sabendo que desta vida só carregamos o que trazemos dentro. O nosso ser.
O ter fica para os herdeiros, pesado tributo da quelas pessoas que dedicaram grande parte de suas vidas a acumular bens, sem provar o gosto da partilha, nem se dar o direito de percorrer seus caminhos interiores." Seguindo o exemplo do Papa podemos então dizer que: responsabilidade e esperança sim, receio e medo não! Estas são as atitudes que como cristãos devemos cultivar diante da realidade que todos nós, cedo ou tarde, enfrentaremos.

Frei Betto - Revista "O mensageiro"

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