
Reconhecer-se perdoado
O anúncio da palavra suscita conversão após reconhecer-se pecador e ter sido perdoado por Deus
O Cristão é introduzido na comunidade pela família no sacramento do batismo ou na conversão a fé.
No princípio da comunidade cristã as primeiras conversões encontraram no discurso de Pedro e dos apóstolos o reconhecimento de estar em pecado. (Atos 2, 14-36 )
Mas encontraram no anúncio da palavra algo novo que não conheciam: "O reconhecimento de serem amados e perdoados verdadeiramente por Deus e por terem feito uma esperiência pessoal com Cristo pelo Espírito Santo". (Atos 2, 44-47)
Atos 37 - Quando ouviram isso, todos ficaram de coração aflito e perguntaram a Pedro e aos outros discípulos: Irmãos, o que devemos fazer? Pedro respondeu: Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados; depois vocês receberão do Pai o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é em favor de vocês e de seus filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar. Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho e exortava, dizendo: Salvem-se dessa gente corrompida. Os que acolheram a palavra de Pedro receberam o batismo. E nesse dia uniram-se a eles cerca de três mil pessoas.
O anúncio da palavra de Deus pela Igreja faz com que as pessoas tomem consciência do seu próprio pecado, e do grande amor de Deus por nós seus filhos.
Já que elas percebem pelo evangelho estar comprometidas com uma estrutura social que gera injustiça, sofrimento e morte.
O que fazer? É preciso morrer para esse tipo de sociedade e ressuscitar para pertencer ao povo de Deus; povo comprometido com o testemunho de Jesus Cristo.
O batismo, onde a pessoa recebe o Espírito Santo, que é a expressão concreta dessa conversão e aceitação de Deus como seu Senhor e salvador, vem ao nosso encontro com sua presença do amor com uma paz e alegria indiscritivel que supera qualquer coisa neste mundo.
Só assim você se sentirá um homem novo por reconhecer-se perdoado e amado no intimo de sua alma.
Portanto nenhuma situação vivida em sua vida pode tirar esta graça alcançada pelo batismo mesmo que pareca ao contrário, porque a escolha de Deus em lhe perdoar é fiel.
Na comunidade de Jesus não existem limites para o perdão (setenta vezes sete).
No tempo dos primeiros cristãos todos tinham em seu intimo a certeza de estarem perdoados, portanto não carregavam mais o fardo do pecado que foi suprimido em seu batismo, esta tem que ser sua conciência a respeito de seu batismo de um filho de Deus perdoado e amado.
Ao entrar na comunidade após o batismo e converção, cada pessoa já recebeu do Pai um perdão sem limites (dez mil talentos).
A vida na comunidade precisa, portanto, basear-se no amor e na misericórdia, compartilhando entre todos esse perdão que cada um recebeu.
A comunidade cristã não é a reprodução de uma sociedade que se baseia na riqueza e no poder.
Nela, é maior ou mais importante aquele que se converte, deixando todas as pretensões sociais, para pertencer a um grupo que acolhe fraternalmente Jesus na pessoa dos pequenos, fracos e pobres.
É preciso evitar a todo custo a busca de poder e prestígio.
Tal busca introduziria na comunidade o fermento da competição.
E isso escandalizaria e afastaria aqueles que não têm essas pretensões e que, por isso mesmo, são os mais aptos para construir essa nova comunidade de Jesus.
O modo de ver (olho), de agir (mão) e de caminhar (direção de vida) deve ser inteiramente mudado pelos ensinamentos do Senhor, a fim de não prejudicar a graça recebida em sua vida e dos irmãos.
Por que alguém se extravia, isto é, se distância da comunidade?
Certamente por causa do escândalo, ou do desprezo daqueles que buscam poder e prestígio dentro das comunidades.
O evangelho mostra que a comunidade inteira deve preocupar-se e procurar aquele que se extraviou.
A comunidade se alegra quando ele volta para o seu meio, porque a vontade do Pai foi cumprida.
Tolerância mútua (amar seu semelhante como a sí mesmo)
A parábola evangélica visava também desmascarar a intransigência de certos líderes da comunidade cristã primitiva, por demais severos, quando se tratava de perdoar as faltas alheias.
Quiçá, o contraponto desta atitude fosse uma condescendência com os próprios pecados, para os quais fechavam os olhos.
Tais líderes são comparados com o servo desalmado que, após ter sido perdoado de uma dívida incalculável, mostra-se sem compaixão para com o companheiro que lhe devia uma quantia insignificante. A quantia exagerada que o primeiro servo devia – dez mil talentos – sublinha que, por maior que fosse o perdão concedido aos membros faltosos, sempre seria inferior ao perdão que Deus concedia à liderança da comunidade. Em última análise, o perdão concedido deveria corresponder a um gesto de reconhecimento pelo perdão recebido de Deus.
O senhor da parábola foi inclemente com o servo incapaz de ser misericordioso, uma vez que tinha sido, por primeiro, objeto de misericórdia.
A lição é evidente. Quem não perdoa, não será perdoado. Quem não corresponde à misericórdia de Deus, sendo misericordioso com seu próximo, receberá o castigo divino. Quem não demonstra para com o próximo a mesma paciência que recebeu de Deus, será vítima da cólera divina. Portanto, quem se sabe infinitamente perdoado, tem a obrigação de estar sempre disposto a perdoar. (Mat 18,23-32)
Jesus sempre dava lição de humildade e tolerância. (Mt 18,1-6 = Mc 9,33-39)
E quando o irmão peca?
Se o seu irmão pecar, vá e mostre o erro dele, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele der ouvidos, você terá ganho o seu irmão. Se ele não lhe der ouvidos, tome com você mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. Caso ele não dê ouvidos, comunique à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele der ouvidos, seja tratado como se fosse um pagão ou um cobrador de impostos. Eu lhes garanto: tudo o que vocês ligarem na terra, será ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra, será desligado no céu. E lhes digo ainda mais: se dois de vocês na terra estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está no céu. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles.
Quando um irmão peca, prejudicando o bem comum, a comunidade age com prudência e justiça, procurando corrigir o irmão.
Reunida em nome e no espírito de Jesus, a comunidade tem o poder de incluir ou excluir pessoas do seu meio, isto é, incluir ou excluir pessoas.
A missão dela, porém, não termina com a exclusão do pecador: ela deve procurá-lo, como o pastor que sai em busca da ovelha perdida (18,11-14).
Perdoar sem limites
Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? Jesus respondeu: Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
(Mat 18, 21)
Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: ‘Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo’. Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague logo o que me deve’. O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dê-me um prazo, e eu pagarei a você’. Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: ‘Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?’ O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão. (Mat 18,23-35)
Portanto quando reconhecemos que verdadeiramente fomos perdoados e somos amados por Deus, deixaremos os desentendimentos e brigas, retribuindo esta graça perdoando também nossos semelhantes (setenta vezes sete) que tem as mesmas fraquezas humanas que nós.
Só assim seremos mais felizes ainda neste mundo!
Devemos dar um passo maior na fé, tendo misericórdia por aqueles que estão ainda no começo da caminhada de conversão, para que também se sintam amados e perdoados por Deus.
Não queremos ser aquele empregado miserável que não teve compaixão do seu companheiro como Deus teve de nós primeiro.
Vamos acolher os irmãos com maior amor na certeza que Deus nos recompensará ainda mais.
Irmão você também é uma benção para mim!
Oração
Espírito Santo ensina-me a perdoar, dispõe-me a conceder o perdão a quem me ofende, consciente de que o Pai me ama e também está sempre pronto a me perdoar.
Orai e vigiai (Atos 2, 42-47)