Confirmação do Batismo: Uma opção consciente
Na tradição Bíblica, encontramos testemunhos de apresentação dos jovens ao templo.
Por este ritual, a pessoa, consagrada a Deus desde seu nascimento, é inserida na comunidade dos eleitos, com os deveres e os direitos provenientes do pacto da aliança.
Pela consagração juvenil, os fiéis israelitas podem congregar-se em comunidade.
Assim, dez jovens que confirmam o pacto com Deus, podem compor uma "comunidade de sinagogal".
A confirmação de Jesus se manifesta na sinagoga de Nazaré e marca o início de seu ministério.
Torna-se mensageiro do Pai, encarnação do Reino e mestre dos povos.
Suas palavras têm convicção e consistência.
Ele personifica a profecia de Isaías:"o espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres e enviou-me para a missão..."
Este compromisso revela a mística de seu apostolado e a sua identidade humano-divina.
Em vários momentos de sua missão, Jesus promete o Consolador.
Maria e os discípulos recebem os dons do Espírito Santo e são enviados em missão.
Nas comunidades primitivas, existe uma unidade entre os sacramentos da iniciação cristã, isto é batismo, confirmação, Eucarestia.
Mesmo assim, nos Atos dos Apóstolos, aparece uma distinção ritual, que expressa a instituição bíblica da Confirmação:""Tendo eles já recebido o Batismo, mas ainda não tendo contemplado com o Espírito Santo" (At 8, 15-17).
Os seguidores do Nazareno, conforme encontramos nas cartas paulinas e apostólicas, seguem a tradição judaica de impor as mãos e ungir os fiéis, como forma de invocação do Espírito Santo e de envio em missão.
A Confirmação exige adesão à proposta de Jesus, assumindo a plenitude da fé cristã e tornando-se discípulo para o mundo entre os povos.
Nestes fundamentos bíblicos se realizam a essência do Sacramento da Confirmação: Deus envia o Espírito Santo sobre Jesus Cristo.
Este mesmo Espírito é enviado sobre seus discípulos, que participam de seu ministério sacerdotal, r´gio e profético.
Esta é a missão do cristão, que assume profundamente seu papel na história da humanidade.
Na comunidade primitiva dos primeiros séculos, a Igreja celebra o sacramento da Iniciação Cristã, pela qual os novos adeptos da pregação cristã, chamados de neófilos, são imergidos na comunidade pelo batismo, confirmam a sua comunhão pela unção crismal e comungam, com os fiéis, da ceia eucarística.
Assim, nos primeiros séculos, estes sacramentos eram celebrados em unidade.
Com o surgimento de comunidades nos vilarejos mais afastados, os presbíteros consagram os fiéis pelo batismo e, numa ocasião solene, o bispo confirma, em nome de toda igreja local, a sua adesão eclesial e sua consagração a Jesus Cristo.
Por questões pastorais, aos poucos, o sacramento da iniciação cristã foi se desemembrando em duas etapas e desenvolvendo uma própia autonomia.
A unção com óleo crismal no batismo é sinal de purificação, enquanto que na Confirmação é um sinal de consagração e de envio missionário.
Com o papa Pio X, no início do século XX, oficializa-se a primeira Eucarestia para crianças e, após os 7 anos, a Confirmação.
Na prática, crismavam-se também as crianças.
Com o tempo, exigindo maior preparação, a Confirmação passa a ser ministrada no início da vida juvenil, para que o crismando tenha maior consciência sacramental e compromisso com a comunidade.
O sacramento da Confirmação faz parte do Ritual de Iniciação Cristã.
Com o sacramento do Batismo e da Eucarestia, a confirmação plenificada a adesão e a aliança da pessoa humana a Deus, por meio de Jesus cristo.
Vamos conhecer o desenrolar da celebração.
A comunidade se reúne para ser testemumha de uma opção batismal, que o fiel decide assumir por si mesmo, como expressão de coragem e de profetismo.
A Igreja acolhe os pais e padrinhos, que receberam as velas acesas, representando a fé, que ao longo dos anos de sua infância foram acendendo nos corações de seus afilhados e afilhadas pela oração comum, pela participação eclesial e pela vida exemplar.
Os padrinhos entregam as velas acesas para os crismandos, como um gesto de entrega da responsabilidade de sua própria opção religiosa e cristã.
Num primeiro momento, o Bispo ou sacerdote delegado impõe as mãos sobre os crismandos, depois, num gesto de consagração e de libertação, impõe a mão sobre a fronte, invocando a força divina sobre sua vida.
Este gesto se encontra presente desde a comunidade dos apóstolos.
No ápice deste sacramento, com o óleo, consagrado na celebração sacerdotal da Quinta feira Santa, o crismado, é ungido como expressão de eleição divina, de força e de alegria.
Neste mesmo instante, o sinal da cruz associa o jovem ao mistério da cruz de Cristo, para que com a força do Espírito Santo vença os sofrimentos e seja sempre fiel.
Este é o selo do mistério espiritual deste Sacramento.
Na comunidade cristã, o crismado participa da ceia de irmãos, consagrados na fé, pelo Espírito vivificador.
Mais do que nunca, consagrar-se pelo Sacramento da Confirmação é um ato de coragem que nos leva a assumirmos a condição de operáqrios da messe de Jesus.
As características do Sacramento da Confirmação manifestam a força de seu compromisso comunitário: tornando-nos testemunhas de Cristo.
O Espírito Santo nos confirma na adesão do batismo, nos dá coragem, alegria, capacidade de decidir e força para trnasformar a sociedade.
A Confirmação nos dá o dom de colaborar com responsabilidade na construção da comunidade cristã.
Recebemos a linguagem da sabedoria e todos os dons para sgir em favor de um mundo mais solidário e justo.
Finalmente, o dom do Espírito Santo, nos une mais profundamente à Igreja e nos vincula ao povo de Deus.
Por este dom, fazemos parte do povo de Deus e nos comprometemos com sua edificação.
A unção crismal é o sinal da ação divina que vem invadir os corações e os transforma em templodo Espírito Santo, capaz de penetrar a sociedade humana com os valores do evangelho, da verdade e da solidariedade.
Pe. Antônio Sagrado Bogaz
Revista: O Mensageiro de Sto. Antônio
www.omensageiro.org.br
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