A força de Deus em nossas vidas
"De repente veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoss". (At 2,2)
A Bíblia ama falar-nos das verdades espirituais, invisíveis e para nós incompreensíveis, através de símbolos elementares, ao alcance do homem.
por exemplo, na eucaristia nós recebemos o mistério do corpo e do Sangue de Cristo através de sinais que estão entre as coisas mais comuns em nossas mãos: o pão e o vinho.
Assim sucede também para o Espérito Santo, que é a realidade misteriosa por excelência.
O Espírito não se vê, não se toca, e Deus nos revelou este mistério da terceira pessoa da Trindade operando com o seu estilo, é com meios simplicímos...
De fato, Deus nos falou do Espírito Santo através de alguns símbolos que estão entre os mais simples e imediatos para a nossa compreensão: a àgua, o fogo, o óleo e o vento.
Dentre os quatro indicados, um é tão importante que deu o nome ao espírito santo... Sabem qual é? É o vento.
Em hebraico, a língua do Antigo Testamento, vento e Espírito santo são ditos com uma só palavra: ruah.
Também em grego, língua em que o novo testamento foi escrito, pneuma significa sopro, espírito, vento e Espírito Santo.
Portanto o Espírito Santo ganhou o seu nome dessa realidade, do vento, justamente porque, no início, Deus começou a revelar o símbolo da sua energia, do seu modo de agir no mundo.
De fato, da maneira como aconteceu a grande manifestação do Espírito em pentecostes, qual foi o primeiro sinal que anunciou a vinda do Espírito Santo?
De derepente veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa.
e na noite da páscoa, como foi que Jesus deu o Espírito Santo aos apóstolos?
O que fez? Soprou sobre eles e disse:"Recebei o Espírito Santo".
Aceitemos, então, esse instrumento de deus, esta linha que ele nos deu para elevar-nos, para atingirmos uma compreensão mais próxima da realidade misteriosa do Espírito, e veremos quantas coisas nos ensinará esta criatura que São Francisco chamva de "irmão vento".
No início da revelação da bíblia, os homens eram muitos simples, muitos rudes, e necessitavam de símbolos para compreender a mensagem de Deus a eles dirigida.
E eis então que o Senhor, da experiência do vento (que se pode definir como o movimento, mais ou menos regular e violento, grandes massas de ar atmosférico) que fez sentir toda a sua força especialmente nos prados, nos lugares desertos, e abertos e no mar, levantando as ondas, tomou essa realidade como imagem e símbolismo para revelar aos homens a potência do seu Espírito.
Não há na natureza um exemplo mais forte que a força, o poder do vento!
Mas depois Deus quis usar também uma outra experiência que está no alcance dos homens: a do respiro.
O que existe mais comum para nós do que o hábito, o ar que respiramos?
O ar que respiramos entra de modo doce, calculado, no nosso intimo, isto é , de maneira a recebermos a quantidade que nos serve, e, assim, torna-se símbolo de intimidade de vida, porque a respiração é o sinal da vida.
O símbolo do vento foi, portanto, escolhido por Deus para mostrar-nos o poder do seu Espírito: poder que não é destruidor, neutro, irracional como o do vento que gera o furacão, mas que é uma potência pura de bem que é também uma potência de amor.
E o que isso quer dizer?
Deus quer, talvez, assustar-nos?
Talvez impressionar-nos, esmagar-nos...?
Não!. Deus quer-nos dizer, na nossa pobreza, no nosso tremor de criaturas frágeis: "Eu sou a sua coragem, não temam.
Eu sou suficientemente poderoso para protegê-los".
O Espírito Santo é a fonte da nossa força e, tal como um vento impetuoso,é uma maneira de deus nos dizer que ele é a nossa força, a nossa coragem.
Paulo dirá: "O Espírito Santo vem em auxílio á nossa fraqueza"!
Cada um de nós experimenta a própria fraqueza física, mental, da vontade, fraqueza diante de situações e deus, em pentencostes, mandou-nos o seu Espírito através de Jesus, porque quer dar-nos força.
Deus pode revelar o seu poder justamente na nossa fraqueza, deixando-nos fracos.
Ele nos faz realizar coisas fortes, dos corajosos.
Vocês se recordam daquela famosa frase de Dom ablondio no "Promessi sposi"?
Dom ablondio não era um personagem dotado de uma coragem particular e, diante das dificuldades e reprovações que este aspecto do seu caráter prococava, dizia: " A coragem não pode nada"! Mas isto não é verdade do ponto de vista espiritual justamente porque a coragem, quem não a possui, pode recebê-la, já que Deus coloca à nossa disposição, em Cristo, o seu Espírito, que é poder e força.
O Espírito Santo, enquanto hálito, vento que entra dentro de nós com a respiração, exprime o ritmo da nossa vida, e é nesse sentido sinal de intimidade, porque entra no mais profundo de nós mesmos, nos nossos pulmões.
através desse símbolo compreendemos que o Espírito Santo é uma potência que quer entrar na nossa intimidade.
Todos nós, depois de um dia cansativo, trabalhoso, desejamos intimidade: com um amigo, com a esposa, com a família.
No trabalho, em público, o homem deve colocar máscaras, mas na intimidade é ele mesmo, sabe que é aceito por aquilo que é, não deve fingir.
Pois bem, Deus nos diz que o Espírito Santo é aquele que cria a intimidade entre nós e deus, entre nós e o Amor supremo, o Pai, o Esposo.
O Espírito é aquele que cura, que protege toda intimidade, e nesse sentido, o que o Espírito santo nos dá?
Se como poder, ele é o remédio para nossas fraquezas, aqui o Espírito mostra-se a nós como remédio para um outro grande mal: a nossa solidão.
Se cremos naquilo que Jesus nos disse, isto é, que o espírito santo virá sobre nós, habitará em nós mais intimamente que o respiro, então nenhum crente está sozinho.
O pai, a mãe, a esposa, o esposo, ou os filhos poderão nos abandonar, mas o Espírito santo não nos abandona jamais!
Portanto, é ele o nosso amigo e, como diz a liturgia, "o doce hóspede da alma".
Saibamos disso, cristão!
A maior parte dos cristãos recebe o Espírito santo no Batismo e depois o fecha num depósito escuro e não se lembra mais dele por toda a vida.
Não podemos fazer assim!
Se temos esse hóspede que é Deus em nós, devemos falar co ele, visita-lo, rezar com ele.
Convido-os agora a dirigir-se, com o pensamento, às planícies, ao mar aberto onde o vento sopra, para imaginar que os profetas viam quando falavam do Espírito.
Quando o vento impetuoso sopra sobre as montanhas alpinas, onde os pinheiros e abetos levantam-se altaneiros para o céu, como o vento os enverga!
E suficiente-mente poderoso para quebrar os cedros do Líbano, diz a Escritura.
Quem resiste ao vento se rompe e vocês já entenderam o que isso pode significar no plano espiritual: se você se põe ao Espírito Santo, será quebrado.
Ao invés, como as folhas que não se enrijecem, mas quando o vento sopra, ao contrário, cedem à sua força, assim também nós devemos deixar-nos conduzir na vida como quer o Espírito, devemos ser dóceis ao Espírito.
coloquemo-nos, portanto, na presença do Senhor Jesus, abramos a ele o nosso coração e rezemos: "Senhor, sopra sobre mim com o teu vento forte, com o teu sopro doce e leve: eu recebo o teu Espírito".
se invocamos e esperamos esse dom com fé e amor Jesus sopra sobre nós e ainda hoje nos repete: "Recebei o Espírito Santo".
Assim Seja.
Pe. Raniero Cantalamessa - Comunidade Sacramusic
Orai e vigiai ( Lucas 3-15,16 = Jo 3-5 = Jo 7-37,38 = Jo 14-23,25)
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