
A terceira guerra já começou
Com os acontecimentos e a dispersão de múltiplos perigos e ameaças por quase todos os continentes; a disponibilidade altamente facilitada de numerosos meios letais de combate, designadamente químicos e bacteriológicos, junto de Estados e outras entidades coletivas de fins malévolos; a infiltração de células terroristas pelos mais importantes países do mundo, cujos membros revelam um incompreensível proselitismo suicida; ou a proliferação de armas e tecnologias nucleares em paises e organizações com propósitos mais do que duvidosos, legitimizam, de algum modo, tais temores apocalípticos.
No entanto, mais preocupante e perigoso do que a possibilidade de eclosão de um conflito bélico universal é a incompreensão ou a falta de percepção de que, verdadeiramente, a Terceira Guerra Mundial já começou.
A Terceira Guerra Mundial começou, mas não foi agora.
Iniciou-se pouco depois da guerra de 1939-45 e conheceu uma imparável aceleração nas últimas duas décadas, depois que os grandes Estados finalmente concluíram da possibilidade dos impérios de dominação territorial e perderam as ilusões quanto aos benefícios de imporem apenas pelas armas a sua hegemonia sobre o mundo.
E foram, precisamente, dois dos vencidos da Segunda Guerra Mundial e por ela culpados e condenados.
O Japão e a Alemanha, países sujeitos a diversas formas de desmilitarização e de tutela estrangeira, os pedagogos que a todo o orbe transmitiram a sua magistral lição: as guerras do futuro - do presente - de efeito mais duradouros e com custos próprios menos elevados, em lugar dos antigos campos de batalha lamacentos e putridineos, travaram-se nas escolas e nas universidades,prepararam-se nos laboratórios e nos centros de investigação, concretizam-se fábricas e nas instituições financeiras; as pelejas dos tempos hodiernos,em vez de soldados e generais, têm por combatentes alunos e professores, técnicos e cientistas, empresários e financeiros; e em substituição das espingardas e canhões, as armas mais poderosas revelam-se ser agora a ciência e a cultura, a tecnologia e o espírito e o empresarial, a eficiência da organização administrativa e a capacidade financeira.
A guerra à escala de todo planeta é, pois agora uma guerra cultural e científica, tecnologica, financeira, comercial e industrial.
Rogamos para que não se torne também religiosa.
Mas não se pense que os seus resultados são menos devastadores do que das guerras tradicionais, nem se julge que os seus intentos são agora mais humanistas e libertadores da condição humana.
Na dominação econômico-finaceira das grandes potências actuais , que o ultraliberalismo globalizante vem instaurando nos últimos anos, há uma perversidade não muito diferente daquela que o Império dos Sol Nascente ou Nacional-Socialismo pretenderam instaurar há cinquenta anos atrás.
O capitalismo vem se mostrando ser um monstro na dita liberdade ou seja livre concorrência onde os mais fracos continuam excluídos.
A destruição das línguas e das identidades culturais minoritárias e a uniformização forçada das culturas, ainda que sob a ilusão das opções livremente assumidas próprias da terceira Guerra Mundial.
Em muito pouco diferem das aniquiladoras estratégias de aculturação imposta no passado pelos Estados dominantes aos povos subjulgados.
E pior, a vitória propiciada pela guerra está em marcha, bem mais do que todas as conquistas e ocupações do passado, terá resultados de mais difícil revelação.
Sobretudo pelo modo dissimulado como actuam os seus agentes e pela forma quase insensível como a suas vítimas reagem, quando a sentem, e reagem...
Infelizmente, enquanto se trava a Terceira Guerra Mundial, persistem por todo o lado as guerras tradicionais, com ancestrais ou novas armas, com antigas ou modernas concepções estratégico-táticas, mas sempre com o habitual cortejo de injustiças, crueldade, morte, infelicidade e destruição do amor.
E o que dizemos a respeito, é suspeitar que os responsáveis pelo nossos destinos, e especialmente aqueles a quem compete conceber e dirigir o sistema educativo e desenvolver e preservar o sistema econômico e financeiro, continuem a não compreender a realidade perigosamente concorrencial com que o nosso País se confronta.
Podemos estar já a perder irremediavelmente a Teceira Guerra Mundial e a sermos esmagados económica, financeira e culturalmente nos confrontos e reencontros da globalização; não tanto por sermos incapazes de enfrentar os perigos e ameaças que nos rodeiam, mas sobretudo por acreditarmos ainda na paz.
Graças a Deus somos ainda um povo pacífico apesar de tantas injustiças cometidas por falta da fé dos homens. Diga não a Guerra!
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